quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O filme

A turma era do 8º Ano; a disciplina era Educação Moral Religiosa Católica, o filme, o "Estigma", "Stigmata" no original, o local, o auditório/sala de projecção da escola.

A cena é intensa: a actriz revira os olhos, entra em convulsão, em epilepsia, as chagas nas mãos aparecem, o sangue jorra, escorre pelos braços, manchando a roupa, os sapatos e o chão...

O professor correra o risco de provocar comoção com a escolha cinematográfica, mas até ao momento estava tudo a correr bem, os alunos mantinham-se silenciosos e atentos.

Subitamente, do fundo da sala escura, surgiu um grito estridente - Ai que horror! - disse uma voz feminina de tom grave, fácil de identificar. Parado o filme, ligadas as luzes, o professor já estava quase arrependido por ter mostrado um filme com imagens tão intensas e perturbadoras, mas quis saber a razão da exclamação e preocupado, perguntou - O que foi Carolina (nome fictício)? Ela responde com um ar impressionado - Ai "setôr", que coisa horrorosa, que socas azuis tão feias!!!!!

3 comentários:

Anônimo disse...

E não ter comentado a bolsa ou a maquilhagem da dita já foi muita sorte ...

Márcio Branco disse...

Mas confirmou-se mais uma vez que utilizar técnicas audiovisuais resulta muito melhor. Para além do filme, o aluno ainda capta o sentido de estética e está atento ao minino pormenor contribuindo assim para uma melhoria nos testes oficiais finais, por usualmente vêem semrpe com gralhas e é necessário olho de lince para detectar isso :-)
Bendito professor a motivar desta forma.

miteka disse...

parabéns carolina! a tua capacidade de análise dos factos que se apresentam para além da realidade imediata é notável! o teu sentido estético levar-te-é longe! mas o mais brilhante de tudo é não te deixares intimidar pelo horror de tão confrangedora realidade imediata!!! parabéns! parabéns!