quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Valores

De Gaulle dizia que "é absolutamente impossível governar um país com 452 espécies de queijo."

Eu digo que difícil é governar na adversidade onde muitas vezes não há nem queijo, nem pão.
Governar na multiplicidade dá trabalho, mas é satisfatório; gerem-se diferenças e não necessidades, administram-se dificuldades e não carências, trabalha-se para objectivos e não para inevitabilidades!

Em África (na tradicional, a sul do Sahel), a democracia das aldeias funciona na base do consenso e não na da aceitação da vontade absoluta e incontestável da maioria! Para quem fizer parte da minoria será um sofrimento. As conversas à sombra dos Embondeiros ou em redor das fogueiras são tão rápidas como o movimento das estrelas aos nossos olhos, um verdadeiro exemplo do ditado que diz que andando "devagar se chega depressa" onde toda a gente é ouvida com a mesma atenção. Tenta-se (nem sempre se consegue), alcançar um resultado que não agradando a todos, pelo menos prejudique o menos possível. Certamente que há quem pense que em sociedades tradicionais todos pensam da mesma forma e têm as mesas necessidades, o que é um erro; são por vezes tão complexas como os grandes centros cosmopolitas. A busca da harmonia tira horas de sono, mas deixa os intervenientes com a sensação de paz que políticos e governantes ambicionam, mas raramente alcançam.

Será sempre preferível andar mais devagar para que toda a "família" possa acompanhar do que deixar os mais novos, fracos e mais velhos para trás, em nome do progresso de alguns! É que esses também já foram jovens impulsivos, inexperientes e um dia também serão idosos, cansados; uns e outros a precisar de outra atenção e outras velocidades menos vertiginosas para uma existência condigna.

Um comentário:

Márcio Branco disse...

Eu recordo-me de ver filmes futuristas, em que a população vivia momentos de caos total, os mais jovens eram deixados totalmente para morrer, a sobrevivencia do mais forte ditava tudo. Desde violencia a esquemas menos correctos, o que interessa é sobreviver na selva urbana.
Eu via esses filmes e desejava sempre que o herói da história derrubasse os vilões e instalasse uma nova ordem, uma nova estrutura.
Neste momento penso que estamos a viver realmente esses filmes.
Não sei onde vamos parar mas cada vez mais anseio por um herói que venha derrubar este sistema democratico que só resulta para quem tem cunhas e quem tem conhecimentos, tudo o resto sobrevive cada vez pior.
Os jovens mal saiem das universidades aprendem em poucos meses aquilo que supostamente era errado: para ter um emprego com futuro e dinamico, como o de comerial por exemplo é preciso mentir aos clientes e passar por cima dos colegas de profissão, uma verdadeira selvajaria. Mas é assim mesmo, dinamismo, gestão do proprio tempo, espirito de equipa, boas condições de trabalho.
Hoje em dia existem cada vez mais pessoas que oferecem a propria carne para conseguirem um lugar na empresa.
Bem, eu questiono se foi para isto que a revolução dos cravos foi feita. Foi para isto??!!!
Mas porreiro pá, tudo aumenta acima da inflação e o salario desce. Porreiro pá!!!