sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Uma tarde no cinema

Fui ao cinema. À tarde. O filme era infantil era dobrado. Para compensar as centenas de maxilares e de molares, determinados em esmagar estaladiças e crocantes pipocas, que brotavam aos milhares de centenas de coloridos baldes profundos, o volume do som foi anormalmente aumentado. Adorei o filme, mas saí de lá irritado com o interminável mastigar e surdo com a barulheira das colunas e dos telemóveis.
Está decidido: não desisto de ir ao cinema, não me vencem facilmente! Apenas algumas restrições para garantir a qualidade das minhas cinéfilas incursões; não vou a filmes infantis que não sejam falados no idioma original e devidamente legendados na nossa lusa língua, mas caso não possam ser evitados, levarei dois funis para apurar os sons mais matreiros; sessões ao sábado à noite estão fora de questão, a não ser que precise de descarregar adrenalina a armar confusão com pessoal da fila de trás que manda bocas brejeiras o filme todo; se não gosto de pipocas e não as posso combater, junto-me ao barulho e levo batatas fritas com sabor a alho ou a presunto e Línguas da Sogra (há por aí quem as conheça por Barquilhos), comendo sempre de boca aberta; se no fim de toda esta barulhenta mastigação nada acontecer, recorro às minhas armas secretas: pastilhas elásticas Gorila e bombinhas de cheiro; três Gorilas em simultâneo dão muito trabalho, mas depois chega a recompensa e passo o resto do tempo a fazer bolas gigantes e a estourá-las de dois em dois minutos; cada vez que alguém chegar tarde e passar à minha frente, levanto-me de cotovelos abertos para tapar a vista ao maior número possível de gente até se sentarem e quem sabe não surge a famosa onda humana acompanhada de protestos e assobios; cada vez que tocar um telemóvel perto de mim começo a arfar e a gemer como se estivesse numa sessão porno, para envergonhar quem o atender; parece que estas medidas de elevado cariz de boçalidade e desconforto (não meu, de quem estiver na sala comigo) podem ser uma boa forma de expulsar das salas de cinema, certos comportamentos menos dignos para que tudo regresse à normalidade. Ah, já estou a sonhar com o futuro em que para além do filme, nada mais vilipendie o meu espírito apenas receptivo às influências do enredo daquela realidade virtual que se desenrola na tela!..


7 comentários:

Azul disse...

Olá...

Não consegui deixar de sorrir e rir com a tua ida ao cinema... mas principlamente com as medidas que pretendes tomar das próximas vezes... :))

confesso que adora ver a cara de algumas pessoas perante as mesmas... e até aposto... que iriam que pensar que quem estava mal... serias tu...

Beijo e Bom fds
Azul

Anônimo disse...

HILARIANTE.........MELHOR QUE UM FILME CÓMICO.

Anônimo disse...

E a chuinga?

nokinha disse...

por favor avisa quando fores, a que cinema vais e que filme vais ver... para eu ficar em casa!!!

Som do Silêncio disse...

(risos)

Adorei e gostava de assistir ao teu próximo filme!!!

Beijo Silencioso

Anônimo disse...

Ó afronauta,

Essa tua próxima incursão cinéfila vai ser uma estafa e um verdadeiro atentado à tua irrepreenssível imagem...
Por favor, reconsidera...

Mastigar ruidosamente batatas fritas com sabor a alho ou presunto? Vai deixar-te com um hálito deplorável;

"Línguas da sogra" mastigadas de boca aberta? A não ser que vistas gola alta, vão deixar-te com migalhas até ao umbigo;

Três pastilhas elásticas "Gorila" em simultâneo? Nem pensar. Seria um atentado aos teus maxilares. Isso só para a boca do Mick Jagger...

Fazer bolas gigantes? E se te rebentam na cara?

Arfar e gemer como se dum filme porno se tratasse? Perfeito. No local certo, com a pessoa certa.


Vou deixar a minha tímida sugestão:

Quanto aos filmes infantis, espera que cheguem ao teu clube de vídeo e visiona-os dobrados ou por dobrar, divertidamente, em casa acompanhados com um crepe com gelado de chocolate ou café (Hummm!)

Fora de casa, procura o bom cinema alternativo. A concorrência vai ser tão pouca, que a sala será só tua e poderás até sentir-te só!


P.S. Se, num dia de mau humor, estiveres mesmo determinado a levar alguém até aos limites da paciência, experimenta raspar um pedaço de esferovite sobre um vidro ou um espelho.

Vais sair do cinema realizado, e com uma enorme vontade de bater em ti próprio...



"Tipa" anónima

Ana Pereira disse...

humm o cinema do freeport é mesmo bom... salas enormes e cadeiras vazias... somos só nós e o filme!