quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Chocolate ou canela

Despertou-me a atenção um texto com o título "Reportagem TSF [O meu filho chocolate]", que vi num Blogue que hoje está em destaque no SAPO. Não vou transcrevê-lo para não ser acusado de usurpação de direitos de autor ou reprodução ilícita e por isso é preferível carregarem no link a vermelho para acederem, confirmarem e beberem directamente da fonte; basicamente a autora do mesmo justifica a não adopção de uma criança não branca (chamou-lhe chocolatinho ou canelazita), dizendo que iria ser discriminada pelo tom de pele e ela não se sentia preparada para enfrentar essa luta.
Apesar de considerar altamente provável não ver o texto exibido, respondi o seguinte:

"Triste desculpa para encapotar o seu preconceito; parece que só quer um filho para brincar aos pais ou servir de adereço; se os "filhos do coração" têm de ser perfeitos (seja lá o que isso for), então aos seus olhos são inferiores aos do ventre. Ai o menino por ser "chocolate" ou "canela" (designações infelizes), vai fazê-la sofrer e por isso não o recolhe? Pensava que quem adopta também tinha como intenção resgatar uma criança a uma destino triste e que por ser "diferente" tem menos oportunidades, mas enganei-me. É por isso é que existem muitos "chocolates" por esse país fora! Só espero que o seu menino "copinho de leite", o que saiu da sua barriga, não saia com Trissomia21, marreco, vesgo, gordo, etc. É que também irá ser gozado e olhe que já será tarde para o devolver!"

5 comentários:

Anônimo disse...

A questão da "escolha" é uma questão muito complexa. Custa-me muito ouvir as pessoas utilizarem determinadas frases sobretudo quando são pessoas que podem intervir e provocar uma mudança e não o fazem. É mais fácil criticar quem faz do que agir e tentar corrigir o que acha estar errado. Em vez de pensarem no que podem melhorar, desresponsabilizam-se e atribuem as responsabilidades aos outros, neste caso aos casais que querem adoptar e ainda parecem ficar escandalizados por terem a ousadia de "escolher".
1º No processo de candidatura perguntam especificamente as características da criança que se pretende. É natural que os "pais" descrevam uma criança o mais próxima possível da "ideal".
2º É verdade que quando se engravida não se escolhe exactamente as caracterísiticas das crianças, mas perguntem aos casais "grávidos" como gostariam que fosse o seu filho ou filha.
3º É verdade que a adopção também é um acto altruista mas, provavelmente, a motivação da maioria dos casais além altruísmo engloba outras razões - ter um filho o mais próximo possível do seu filho biológico. Não estou a dizer que isto é que está certo mas também não está errado, a adopção ocorre num contexto mais alargado de um projecto de vida.
4º Tenho a certeza que se os casais tivessem oportunidade de conviver (não estou a dizer que deveria ser feito pelo risco que comporta em termos de expectativas para as crianças) com as crianças antes da adopção, iriam concerteza "apaixonar-se" por que crianças que estão muito longe das que descrevem nos questionários da SSocial ou nas entrevistas; Aconteceria o mesmo que acontece com qualquer mãe/pai quando pega pela primeira vez nos seus filhos recém-nascidos;mas não é isso que acontece. Pede-se-lhe que digam que criança gostariam de ter e eles dizem.
Claro que isso vai muito além do você quer ou consegue entender...
P.S. Se tivesse ouvido a reportagem veria que os nomes " chocolate" ou canela" foram dados pelos própios pais adoptivos aos seus filhos.
Mara.

Afronauta disse...

Ainda não percebi o que quer dizer com "o mais próximo dos pais". Então e as características dos avós, dos bisavós não variam ao longo do tempo? Estar a catalogar as crianças em função do seu tom de pele é um mau prenúncio. Quando peguei nas minhas filhas nos braços pela primeira vez o meu desejo foi que tivessem sempre saúde...mas parece que há quem se preocupe com parecenças.
Sorte sua que não deve ter verrugas na ponta do nariz, não é cega, não tem uma malformação e nasceu no seio de uma família que não a rejeitou ou morreu. Só desejo que um dia não seja rejeitada pelos filhos, que podem não se identificar com as características comuns que terão consigo. É que como portuguesa típica que é, é bom não ser chocolate, canela, mas também pode não ser suficientemente ariana, loira de forma a ser o orgulho da sua descendência!

Ana disse...

È lamentavél que ainda nos tempos de hoje haja pessoas que se preocupem com "a cor da pele, a cor do cabelo, a cor dos olhos" de uma criança e esquecem-se que adoptar uma criança é e devia ser um acto de carinho e não um acto de egoismo !!
Tenho uma filha de 6 anos que sempre teve meninos de raça negra e não só na sala e sempre foi ensinada a conviver com as diferenças.
Afronauta parabéns pelo blog e se quiseres visitar o meu modesto blog aqui fica o endereço hpp://rosaeazul.blogs.sapo.pt

miteka disse...

li! e nem quero acreditar na quantidade de gente aberrante que anda por aí à cata de uma criança para exibie... e assim se sentir completa!
como não tenho muito tempo agora para escrever o que quero, so quero deixar escrito que ...
Hitler adoraria tê-la conhecido!! uma flor!!

nokinha disse...

Triste país triste! Agora entendo muito melhor porque é que os meus meninos chegam tão "deformados" à escola.Adoptar uma criança á acima de tudo um acto de amor, nao uma experiência ou um contrato promessa de compra e venda com direito a talão de troca. As características deveriam antes ser aplicadas aos adoptantes.Pergunto-me só se os srs que usaram esses termos descritivos soubessem que o chocolate que lhes saía fosse como o Ronaldinho Gaúcho ou o Denzel W. o recusariam? E já agora, os deliquentes,meliantes, déspotas,ditadores, são/foram todos filhos adoptivos ou negros?